Há sete anos, todo mês de janeiro começa o mesmo ritual de lavagem cerebral com os telespectadores da TV brasileira. Pois é, começa sempre um novo Big Brother Brasil.
Dessa vez com dezesseis participantes, o que nos faz presumir que o programa terá uma duração ainda maior que as edições anteriores, o reality show continua sendo fiel à proposta: encher uma mansão, cercada de regalias, de pessoas que se enquadram no estereótipo de beleza e status da nossa sociedade, ou seja, corpos fortes e bem torneados da classe média, em busca não só dos prêmios oferecidos pelo programa, mas de uma tentativa (certa) de emplacar em alguma novela, capas de revistas masculinas, femininas e gls, e um sucesso repentino como celebridades, que não oferecem nada em troca de sua imagem.
Já a esmagadora maioria da população brasileira, que trabalha duro o dia inteiro, não recebe bons salários e não tem nem parte do luxo esbanjado na TV, acaba virando o público alvo dessa programação. Cansados de ver e ouvir diariamente nos jornais notícias de corrupção, violência e injustiça social, o povo encontra em reality shows desse tipo uma válvula de escape do mundo real onde vivemos. Tentam esquecer dos problemas reais, ainda que seja para viver, por alguns minutos diários, em um mundo onde tudo é festa, tudo é bonito, todos os dias são dias de academia de ginástica, piscina e hidromassagem, e onde no final do dia os participantes batem um papo com um jornalista famoso, que faz piadas sem a menor graça, das quais todo mundo se mata de rir, só para parecerem bonzinhos e legais o suficiente para não saírem do programa na próxima terça-feira, onde você, trabalhador brasileiro, gasta seu tempo e dinheiro em ligações telefônicas para "eliminar" alguém num certo "paredão", onde, sem perceber, o executado é você.