“(...) O Partido procura o poder por amor ao poder. Não estamos interessados no bem-estar alheio; só estamos interessados no poder. Nem na riqueza, nem no luxo, nem em longa vida de prazeres: apenas poder, poder puro. O que significa poder puro já compreenderás, daqui a pouco. Somos diferentes de todas as oligarquias do passado, porque sabemos o que estamos fazendo. Todas as outras, até mesmo as que se assemelhavam conosco, eram covardes e hipócritas. Os nazistas alemães e os comunistas russos muito se aproximaram de nós nos métodos, mas nunca tiveram a coragem de reconhecer os próprios motivos. Fingiam, talvez até acreditassem, ter tomado o poder sem querer, e por tempo limitado, e que bastava dobrar a esquina para entrar num paraíso onde os seres humanos seriam iguais e livres. Nós não somos assim. Sabemos que ninguém jamais toma o poder com a intenção de largá-lo. O poder não é um meio, é um fim
1984, pág. 244. George Orwell. Companhia Editora Nacional.
É incrível como o homem, o homem homem, o garanhão, o reprodutor, o varão, o macho, necessita de atitudes de auto-afirmação. Precisa provar a si mesmo, e aos outros a seu redor, o quão homem ele é. De certa forma é até engraçado um homem (que não necessita dessa auto-afirmação) escrever algo sobre isso, ao invés de uma mulher. Porém, exatamente por estar cansado dessas atitudes pseudo-machas, me sinto na obrigação de fazer isso. Ainda que doa no íntimo do próprio homem, que fira seu ego.
O homem tem medo de não parecer tão homem perto das pessoas, ou seja, tem medo de ser considerado pelos outros uma criatura efeminada, viadinho mesmo. Esse é o principal motivo de querer ser tão macho, mais macho do que é de verdade. Isso faz com que ele pratique constantemente atitudes de auto-afirmação. Atitudes essas que todos, sem exceção, são capazes de reconhecer como falsas. Como por exemplo, as clássicas histórias das mulheres que esses (que se dizem) homens “pegam”. Chega a ser ridículo o tanto de mentiras contadas em público. Nenhum ser humano em sã consciência, excetuando os próprios homens (apesar de achar que poucos de nós possuímos alguma), é capaz de fazer o que eles (os pseudo-machos) dizem que fazem, ou de receber o tipo de coisa que eles dizem “receber” das mulheres. Só pra dar um exemplo: alguém aí acha possível que um motorista consiga fazer sexo com uma mulher em seu colo enquanto dirige seu carro?
1º. A menos que alguém tenha uma fantasia sexual (de péssimo gosto, diga-se de passagem) em relação a isso, pra quê o casal praticaria o ato com o carro em movimento, se o mesmo poderia ser feito com o carro parado, com muito mais segurança? Adrenalina? Ah, balela!
2º. Supondo que a fantasia (de péssimo gosto, não custa lembrar novamente) acima realmente existisse, eu me pergunto: “se a posição da mulher era de frente para o homem, ou seja, face a face, por onde é que a perna direita dessa mulher estava?” A menos que ela seja perneta ou tenha um graveto substituindo sua perna a mesma não conseguiria se alocar entre o banco do motorista e a porta, portanto inviabilizando a prática do ato.
Resumo da ópera: MENTIRA DESLAVADA! ATITUDE PSEUDO-MACHA! AUTO-AFIRMAÇÃO BARATA!
Outra atitude pseudo-macha é a velha história do “fez seu papel de homem”. O típico cafajeste.
A garota deu mole, “pegou”! Não importa quem seja, não importa quantos anos tenha, nem se o homem já tem ou não companheira*. No fim das contas ilude a moça, ela não sai do seu pé, e você ainda se vangloria dizendo que é irresistível, ou que “nossa, tem uma garota que não pára de me procurar” só pra parecer macho mesmo, dos bons.
*Se pego (particípio do verbo pegar e não 1ª pessoa do presente do indicativo do mesmo verbo) com a boca na botija o homem sempre usará dos artifícios “sou homem”, “todos têm suas necessidades” e “não houve como resistir”.
Enfim, pra não me alongar muito mais no assunto e ainda assim não deixar que o post fique tão vazio, aí vão outros exemplos de pseudo-macheza praticados:
· Não usar nada cor-de-rosa;
· Não assistir a romances;
· Não ouvir música clássica;
· Não ler. Principalmente se for poesia;
· Não assumir, em hipótese alguma, que acha outro homem bonito.
Estou aqui só pra dizer que dia 12 de abril de 2007 foi um dos dias mais incríveis da minha vida... isso basta!
É no domingo que fico à míngua
Dia de feira, água na língua.
São tantas coisas pra ver
Verduras, frutas e flores,
Que mal consigo entender
Como podem haver tantas cores?
E cheiros, sabores, tempeiros e formas...
A vida é triste e nos mostra muitas normas.
É tanta coisa jogada fora
Gente passando fome,
Como eu aqui, agora!
Lamento, nem tento
Pedir um alimento
Porque não é todo mundo
Que entende o sofrimento.
A dor é forte e machuca fundo
Um dia desses não agüento e morro lento
Talvez meu caixão seja uma caixa de madeira
Ornamentado com folhas de alface
Para que jamais esqueçam minha face
Do dia de minha última feira.
Há sete anos, todo mês de janeiro começa o mesmo ritual de lavagem cerebral com os telespectadores da TV brasileira. Pois é, começa sempre um novo Big Brother Brasil.
Dessa vez com dezesseis participantes, o que nos faz presumir que o programa terá uma duração ainda maior que as edições anteriores, o reality show continua sendo fiel à proposta: encher uma mansão, cercada de regalias, de pessoas que se enquadram no estereótipo de beleza e status da nossa sociedade, ou seja, corpos fortes e bem torneados da classe média, em busca não só dos prêmios oferecidos pelo programa, mas de uma tentativa (certa) de emplacar em alguma novela, capas de revistas masculinas, femininas e gls, e um sucesso repentino como celebridades, que não oferecem nada em troca de sua imagem.
Já a esmagadora maioria da população brasileira, que trabalha duro o dia inteiro, não recebe bons salários e não tem nem parte do luxo esbanjado na TV, acaba virando o público alvo dessa programação. Cansados de ver e ouvir diariamente nos jornais notícias de corrupção, violência e injustiça social, o povo encontra em reality shows desse tipo uma válvula de escape do mundo real onde vivemos. Tentam esquecer dos problemas reais, ainda que seja para viver, por alguns minutos diários, em um mundo onde tudo é festa, tudo é bonito, todos os dias são dias de academia de ginástica, piscina e hidromassagem, e onde no final do dia os participantes batem um papo com um jornalista famoso, que faz piadas sem a menor graça, das quais todo mundo se mata de rir, só para parecerem bonzinhos e legais o suficiente para não saírem do programa na próxima terça-feira, onde você, trabalhador brasileiro, gasta seu tempo e dinheiro em ligações telefônicas para "eliminar" alguém num certo "paredão", onde, sem perceber, o executado é você.
Dói,
Como aquela dor lancinante
Que sente o cavaleiro errante
Quanto seu elmo se destrói
Maltrata, machuca
Da ponta do queixo
Até o extremo da nuca
Arde
Queima
Ó morte, por quê vens tão tarde?
Não tema, não teima
Leve contigo minha dor
Mesmo que me leve também
Não me guarde rancor
Nem ontem, nem hoje...
Para todo o sempre,
Amém.
O barulho ensurdecedor do silêncio faz estourar seus tímpanos
A cegueira, provocada pelo excesso de visão, aprofunda seu olhar
O longo caminhar das pernas aleijadas te levam a caminhos obscuros
E a sua voz emudece em um grito surdo
Seu coração pára, e dispara
Sua cabeça roda a mil por hora, e diz: pára!
Sua mente gira num carrossel de idéias desconexas
Mas você não a controla
Enrola, desenrola, descontrola
Sente-se tonto dentro de um labirinto invisível,
Paredes transparentes de idéias
Sustentam quadros do seu cotidiano imaginário
Pintados com uma aquarela muitas vezes monocromática
E expostos a um público de cegos
Que admiram, como poucos sabem admirar,
A vibração que as cores provocam na surrealidade do ar.
PS: Isso ainda sobrevive...
Há pouco tempo me lembrei que nós vivemos num mundo de costumes. Por exemplo, se você acostuma-se a levantar cedo, acaba achando a coisa mais anormal do mundo acordar tarde, e vice-versa. E eu percebi que tinha me acostumado a não escrever, ou desacostumado a escrever, como queiram. É basicamente a mesma coisa.rs Bom, de qualquer forma, isso aqui é só uma nova tentativa de me acostumar a acostumar-me a escrever. Confuso? Então, agora está parecendo comigo. A falta de tempo, ou o mal aproveitamento do pouco de tempo que me resta, me fez esquecer (ou desacostumar) que eu tenho um blog. Esse antro de sandices. É aqui que muitas vezes faço uma catarse dos meus pensamentos, e da minha alma. E é aqui, sempre aqui, que vocês verão do que eu sou não sou capaz (se é que alguém me entendeu agora), porque do que sou capaz muitas vezes nem eu sei.
Beijos, abraços, amassos e boa tarde, porque eu já almocei! =)
... de que o pior do Brasil é o brasileiro?rs
Nessa semana estava conversando com um companheiro de trabalho, quando ele me disse a seguinte frase: "O Brasil deveria voltar a ser governado num regime militar, como nos tempos da ditadura."
Eu só falei pra ele o seguinte: "Agora eu sou um censor, e você um cidadão comum."
"Tudo bem", ele me disse. E eu retruquei: "eu disse que você poderia falar agora?" Era assim que as coisas aconteciam...
Mas na verdade o título não tem nada a ver com esse caso, e sim com o que vem a seguir.
Estava voltando pra casa, após um dia cansativo de serviço, pegando o ônibus de costume, quando ouço partes de uma conversa entre o cobrador e uma passageira que estava encostada na catraca:
- Minha colega de trabalho fez pra ela, também quero fazer pra mim, mas tenho um pouco de medo, disse ela.
- E se o seu chefe ficar sabendo? - cobrador.
- Ah, ele nunca aparece na empresa mesmo, e eu sei que não vai dar em nada, porque pra ela não deu. - continua ela - Mas você sabe como "é essas coisas", né? Não dá em nada, mas eu tenho medo...
E essas pessoas ainda se sentem no direito de reclamar dos políticos que são corruptos! Será que era boa coisa o que essa mulher pretendia fazer? Porque ela teria medo se fosse legal? Bom, qual era a coisa eu não sei. E foi até melhor eu não ficar sabendo, porque só os fragmentos da conversa já bastaram pra revoltar este ser que vos escreve...
A gente faz amigos pela vida toda, em todos (ou quase todos) os lugares que passamos, e na internet não seria diferente. Ou seria? Talvez, se você não vier a conhecer a pessoa pessoalmente depois. Mas, se você conhece acaba sendo a mesma coisa. E mesmo quando você não conhece, a cumplicidade é tamanha, que você se vê falando coisas pros seus amigos internautas que não disse nem aos seus amigos de longa data. Fiz algumas amizades assim, e é em homenagem à elas que esse post surgiu. Porque, apesar da distância (que muitas vezes nem é tão grande), a gente sente que amigo é amigo em qualquer lugar, e a internet só veio ajudar nisso tudo.
Beijos e abraços aos amigos internautas, e um especial pra galera da PoS Brasil!
Quando liga a tv o homem se enraivece pela falta de variedade na programação. Então resolve ligar o rádio, mas também se enraivece, agora por causa das músicas serem sempre as mesmas. Resolve então dar uma volta, mas a chuva que cai lá fora não colabora com o passeio matinal, então volta para a cama, mas a raiva não o faz conseguir dormir de novo. Deita-se em várias posições diferentes, mas não encontra uma sequer confortável. Levanta-se, mas não antes de se enraivecer novamente pela má qualidade do colchão. Pega um jornal para ler, e tão logo percebe que o jornal é do dia anterior ele enraivece-se novamente, e volta pra cama. E a chuva continua a cair lá fora, o que o impede de comprar a edição atual. Mas também, pra quê? São sempre as mesmas notícias, sempre os mesmos rostos estampados nas páginas iniciais. Assaltos, seqüestros, mortes... E o nosso sistema penitenciário é falho, e quando algum criminoso é mal condenado o homem fica com raiva dos advogados, promotores e juízes. Mas então o homem percebe que não são os advogados, promotores e juízes que fazem as leis, mas sim os deputados e senadores. E então o homem se enraivece dos políticos, sejam corruptos ou não, mas ele percebe que quem os colocou no poder foi ele mesmo. Só que nesse momento já é tarde, porque o pouco de lucidez que lhe atinge logo é esquecido, pois o sono foi alcançado, e quando acordar voltará tudo a ser como antes.
De personalidade forte e inconstante, sou assim, nesse mundo pouco cativante. De boas idéias, porém de poucas atitudes às vezes. Profundo conhecedor da arte de desconhecer tudo. Pregador de boas maneiras e bons atos, embora nem sempre os pratique. Acolhedor de almas boas e sinceras, desbravador de mentes insanas e necessitadas de bons conselhos, embora nem sempre eu os possa ofertar. Sonhador constante, mas pouco realizador. Escravo de algumas coisas, senhor de algumas poucas outras. Certos dias devoto, muitos dias cético, outros tantos agnóstico. Alguns dias muito vivo, outros dias quase morto, e algumas vezes desconhecedor da própria existência. Profundamente depressivo quando o quer, mas nem sempre está a fim.rs Se fosse montar um gráfico de linhas da minha auto-estima, ele romperia os dois extremos. Questionador e argumentador por natureza, que teve parte da vida mudada para melhor quando tomou conhecimento, por parte de uma pessoa que só viu uma única vez na vida (mas que ouvia todos os dias no rádio), de que ajudar os outros nunca é demais. Totalmente sem paciência às vezes, muitas vezes deixaria até Jó com inveja. Reconhecedor de méritos alheios. De um bom humor absurdo, que às vezes me deixa nervoso quando não quero rir. Inimigo dos "padrões da sociedade", absolutamente desestereotipado perante as "regras" do ser humano. Pregador do livre arbítrio. Totalmente anti-preconceito, inclusive ao preconceito (entenderam?). Amigo pra todas as horas, inimigo pra mais horas ainda, embora não me lembre de ter inimigos. Somente duas coisas no mundo conseguem estragar meu dia em apenas um segundo, cabeças fechadas e a rinite (que levarei comigo pro caixão), todas as outras coisas demoram muuuuuuito mais para me deixar nervoso. Mas isso tudo o que eu disse pode ser totalmente o errado, ou melhor esqueçam da existência do certo e do errado. Eu sou eu, e somente você pode dar sua opinião sobre mim, da mesma forma como somente eu pude dar a "minha opinião própria do eu interior de mim mesmo e da minha própria vida!"huahauhaua Sacaram a complexidade?
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